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MPF denuncia Zé Dirceu, agora por propina de R$ 2,4 milhões

O ex-ministro de Lula e Dilma é acusado de receber propinas de Engevix e UTC, enquanto o STF julgava o Mensalão, ação penal na qual o petista foi condenado.


A força-tarefa da Operação Lava-Jato denunciou, nesta terça-feira (2), o ex-ministro José Dirceu, dos governos Dilma e Lula, mais uma vez. Dirceu é acusado de receber propinas da Engevix e da UTC no valor de R$ 2,4 milhões, enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) julgava o Mensalão, ação penal na qual foi condenado e cumpriu pena de prisão.

De acordo com a nova denúncia, Dirceu recebeu mais de R$ 2,4 milhões entre 2011 e 2014 das duas empreiteiras (Engevix e UTC) a partir contratos com a Petrobras. Grande parte do dinheiro foi usado para custear assessoria de imprensa e imagem durante o julgamento do Mensalão, o que pode indicar que o petista mantinha pretensões políticas.

O procurador da República, Roberson Pozzobon, disse que “a impunidade no país é tamanha que, no Mensalão, o ex-ministro-chefe da Casa Civil acreditava que sua responsabilização criminal por corrupção seria como um raio que não poderia cair duas vezes em seu quintal. Somente assim se explica a atitude de José Dirceu, que, mesmo após ter perdido seu cargo, mesmo durante e após o seu julgamento pelo Supremo, mesmo após o cumprimento de sua prisão por determinação da mais alta corte do País e a deflagração da operação Lava Jato, persistiu recebendo propinas milionárias. O tempo dos crimes objeto da presente denúncia atesta o total menosprezo de José Dirceu à autoridade da Justiça brasileira.”

O procurador da República Deltan Dallagnol destacou que esta acusação vem num momento oportuno, em que se discute no Supremo a necessidade da prisão de José Dirceu. Para o coordenador da força-tarefa, a decisão do ministro Edson Fachin se mostra bastante acertada, porque a prisão de Dirceu continua estritamente necessária. “Mesmo as exigências mais elevadas estão satisfeitas neste caso. A liberdade do réu acarreta sérios riscos para a sociedade em razão da gravidade dos crimes, da reiteração delitiva e da influência do réu no ambiente político-partidário, lembrando que o imenso esquema identificado pela Lava Jato tem atuação em diferentes níveis da federação. Este é um caso extremo. Dirceu já foi condenado por dezenas de atos de corrupção e lavagem entre 2007 e 2013, somando mais de 17 milhões de reais. Muitos crimes foram realizados durante o próprio julgamento do Mensalão, o que é um acinte à Justiça.”

Dallagnol afirmou, ainda, que “outra prova da necessidade da prisão é que parte dos delitos só parou com a prisão, em outubro de 2014, de um empresário que lhe repassava propinas. Há ainda investigações sobre vários repasses por outras empresas e empreiteiras controladas por pessoas sob investigação e em liberdade. Além disso, há recursos desviados que ainda não foram localizados e um delator chegou a dizer que teve orientação de Dirceu para deixar o país durante o Mensalão, o que traz outra ordem de preocupações com a recuperação dos ativos e a integridade da instrução do processo”, reforçou o procurador. “Situações extremas exigem cautelas extremas. Por isso tudo, dez julgadores de quatro instâncias já se manifestaram pela manutenção da prisão de José Dirceu”.

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