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Não dá para confundir diálogo com toma lá, dá cá

Não é preciso dizer que o presidente Jair Bolsonaro é um expert das redes sociais. Se fosse diferente, jamais teria ganhado a eleição, sem partido, sem dinheiro, sem alianças, sem espaço na TV, enfim, carente de tudo o que um político tradicional sonha ter para disputar um cargo eletivo, sobretudo o Palácio do Planalto. Nota 10 ao campeão do mundo virtual.

Mas a eleição acabou, a vitória foi alcançada e agora é preciso governar. E aí reside o grande problema do presidente Jair Bolsonaro. Claramente bem intencionado, ele quer arrastar do mundo virtual para o mundo real a boa política, com naturalidade, sem esforços, cavalgando seus 57 milhões de votos. Bem intencionado, ele quer que a velha política desista e se some à nova política.

Tudo perfeito. Nenhum reparo. O problema - outro problema! - é a prática. Bolsonaro não quer a velha política - no que está certíssimo! -, porém falha no quesito diálogo, componente indispensável da política na democracia, no pluralismo. Pior. Está estigmatizando a busca do entendimento com pessoas que pensam diferente ou têm dúvidas ou algo parecido.

Quando o presidente diz que apresentou a reforma da Previdência e agora é com o Congresso Nacional, não está errado. Mas também não está totalmente certo. A matéria continua a pertencer ao governo. A responsabilidade pela obtenção dos votos necessários à aprovação é do governo. E os votos são conquistados com longas conversas e esclarecimentos de dúvidas. Ou seja, com diálogo.

Diálogo não é política velha. Diálogo é política. Apenas política, sem adjetivação. Não é aceitável fugir ao diálogo sob a alegação de que se trata de chantagem para manter a velha política do toma lá, dá cá. Isso é insinuação torpe feita à exaustão nas redes sociais por quem recém começa como militante político e ainda não teve tempo de aprender o básico: que política é a arte do diálogo.